1 ano de CicloExpresso – o balanço e o futuro

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Como começou?

O CicloExpresso nasceu quando o filho de um pai que gosta de fazer coisas para promover a utilização de bicicleta para deslocações, chegou à pré-primária, numa escola a 3km de casa. Foi uma oportunidade para aplicar em Portugal algo relativamente comum noutros países, um comboio de bicicletas para a escola. Depois de se criar um logo amador e obter o apoio da Junta de Freguesia e Associação de Pais – que divulgaram a iniciativa – o primeiro comboio estava pronto para partir, a 15 de Maio de 2015. Foi um sucesso em termos de divulgação e participação. O primeiro comboio transportou 12 crianças.

Quais foram as reações?

Muitas reações positivas, poucas (até agora, que tivessemos ouvido, nenhuma) pela negativa. Nas redes sociais e entre pais e conhecidos, recebemos muito feedback positivo. “Que ideia fixe!” foi a frase mais ouvida. Logo na semana do primeiro comboio tivemos uma notícia do Público, o que amplificou bastante a mensagem. Mais tarde uma reportagem na RTP. Também um vídeo da Comissão Europeia no âmbito da candidatura da Câmara Municicpal de Lisboa ao prémio da Semana Europeia da Mobilidade. O fator novidade em Portugal fez de facto atrair atenções positivas.

E negativas? Esperávamos as habituais críticas incidindo sobre a questão da segurança. Estávamos preparados para lhes responder, a partir do conhecimento do que podem ser (e do que não são) as situações de risco quando se pedala na cidade, e de como estamos a ter isso em conta no percurso e regras que temos. Mas até agora, ao fim de um ano, ainda estamos à espera de receber a primeira crítica.

Benefícios (uns mais óbvios que outros)…

Há uns mais óbvios de que toda a gente já ouviu falar: evitar viagens em automóvel é bom para o ambiente, reduz o congestionamento e melhora a agradabilidade de uma cidade (lembram-se daquela sensação de ver todos os carros a chegar ao mesmo tempo à porta da escola?…)

Depois, há vários benefícios que habitualmente não nos lembramos ou não sabemos.

O primeiro é que os miúdos adoram. Adoram, e faz-lhes bem à saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde, uma deslocação ativa para a escola representa crianças mais saudáveis, por causa do exercício físico. Mas há ainda estudos que indicam que as crianças que vão a pé ou bicicleta para a escola são mais concentradas e interessadas no trabalho escolar. E ainda mais: ir para a escola desta forma torna-as mais autónomas e dá-lhes instrumentos para o futuro. Não, proteger demasiado as crianças não lhes faz bem (há quem diga que podem ficar totós), num contexto em que a par da Itália somos o país da Europa em que mais se protege as crianças do ambiente exteriror.

E para os pais? Das duas uma. Ou são monitores e começam também o dia a pedalar e ao mesmo tempo a fazer algo benéfico para a comunidade (ambas estas atividades, está provado, tornam as pessoas mais felizes). Eventualmente continuam depois a pedalar para o trabalho ou até à estação de transportes mais próxima. Ou os outros, que ficam dispensados de levar o filho de manhã à escola e de participar naquele caos matinal de porta de escola, o que lhes faz poupar tempo, e por vezes pode possibilitar o não ter que levar o carro na deslocação matinal.

… e o fator comunidade

O criação de um grupo em redor do cicloexpresso acaba por apresentar e aproximar alguns pais. A forma como as crianças se deslocam para a escola pode assim também reforçar os lanços da comunidade local. No grupo do CicloExpresso, partilhamos fotos, histórias engraçadas das viagens matinais, combinamos passeios e informamos-nos mutuamente sobre outros acontecimentos relevantes.

Regras do comboio

Se um comboio de bicicletas serve para diminuir em parte o receio que os pais têm de deixar os filhos seguir para a escola sozinhos e em bicicleta, uma das precupações centrais da iniciativa não deixa de ser o garantir que o percurso se faz sem percalços. Para tal, orientamos as crianças participantes sobre o comportamento que devem ter, com apenas duas simples regras:

  1. Seguir em fila indiana, atrás do primeiro adulto;
  2. Estar atento e seguir as ordens dos adultos, tendo especial atenção nos cruzamentos e passagens para peões ou bicicletas.

Nas partes do percurso fora da estrada (em zonas pedonais largas ou ciclovias), estas regras são um pouco relaxadas, dependendo das circunstâncias.

Algo impressionante foi a disciplina das crianças, em particular quando nos troços em estrada. Se os primeiros 3 ou 4 comboios serviram para irmos repetindo estas regras, nos 11 meses que se seguiram praticamente não foi necessário voltar a explicá-las. O comboio como que ganhou uma capacidade de auto-regulação.

Como ser maquinista do comboio?

Um pai ou outra pessoa pode ser monitor do comboio. Envia-nos uma mensagem sobre isso, e passamos a contar com ela. Tal como as crianças, a organização do comboio requer que os monitores (que devem ser pelo menos um monitor por cada 4 crianças) sigam algumas regras ao longo do percurso. Estas são as que, após alguma experiência e discussão, definimos:

  1. Um adulto segue à frente do pelotão, outro adulto segue atrás do pelotão e os eventuais restantes adultos seguem a par com a fila indiana de crianças.
  2. Quem segue atrás e a meio do pelotão pode chegar-se para o lado esquerdo da via de trânsito por forma a criar uma bolha de proteção em redor do comboio.
  3. Nos cruzamentos, viragens à esquerda e passadeiras, o monitor da dianteira pára o comboio e espera por todo o grupo antes de avançar. O comboio por vezes parte-se um pouco nas retas, mas é fundamental garantir a coesão nestes pontos e só avançar com o grupo reunido.
  4. Para mandar parar o comboio em caso de necessidade, o último elemento do pelotão só tem que dizer “pára!”

Responsabilidade

No CicloExpresso do Oriente tudo sempre correu bem. Mas e se houver algum problema, quem é o responsável? A questão deve ser encarada da mesma forma que quando começamos a deixar os nossos ir para a escola sozinhos. Num comboio de bicicletas ou a pé, é como se a criança fosse sozinha para a escola, só que vai incluida num grupo de outras crianças e alguns adultos, o que faz toda a diferença na confiança dos pais em permitir ao filho dar esse passo.

Furos e avarias

Também ainda não tivemos esta experiência em um ano de CicloExpresso. Mas para a precaver, em especial se ainda não estivermos perto da escola, é útil levar uma cadeira de criança a mais (ou um porta bagagens suficientemente resistente para ela se sentar) e um cadeado para amarrar a bicicleta no local. Ao final do dia, o pai pode ir buscá-la!

E o capacete?

Esta é uma pergunta habitual quando andamos de bicicleta sem ele. O CicloExpresso não tem qualquer regra quanto ao uso de capacete. Há pais que acreditam que ele é importante, outros que ele não se justifica. No CicloExpresso, sabemos que a obrigatoriedade pode ter efeitos contraproducentes, porque transmite a mensagem de que a deslocação em bicicleta é uma atividade perigosa, o que é manifestamente exagerado. O perigo maior, de acordo com a Organização Mundial de Saúde e a OCDE, é a vida sedentária proporcionada pelas deslocações não ativas. O mesmo se pode aplicar ao vestuário: andar de bicicleta pode ser um acto tão natural que não requer o uso de vestuário diferente daquele que é o nosso vestuário do dia a dia.

Como comunicamos?

Inicialmente comunicávamos entre monitores e com os pais por email, ou quando necessário por telefone. Depois começou a tornar-se claro que uma plataforma como o WhatsApp é particularmente eficaz para comunicar em tempo real, seja para definir entre todos a logística do comboio seguinte (monitores disponíveis? chuva?…) ou partilhar aspetos interessantes da viagem – nada mais giro para um pai que vai a caminho do trabalho que receber uma foto do filho a pedalar para a escola no mesmo momento!

O regresso da escola

Não temos ainda massa crítica para organizar regressos, que são menos simples pelas diferenças de horários. Informalmente, é possível combinar viagens em comum, eventualmente organizadas entre pais, o que ocasionalmente acontece no nosso grupo.

O futuro

Depois de um ano de uma boa experiência, gostaríamos de expandir esta ideia. Chegar a mais escolas, chegar a mais pais e crianças. Essa ideia foi desde logo atingida quando poucos meses um pai nos contatou no sentido de organizar uma segunda linha de comboio, entre a Portela e o Colégio Pedro Arrupe. Como objetivos próximos, gostaríamos de realizar protocolos com escolas da zona, aumentado a adesão aos comboios existentes e criando mais ligações dentro do Parque das Nações e nas Freguesias vizinhas de Portela e Moscavide e Olivais.

Por isso, se gostava de lançar uma linha de CicloExpresso (ou quiça um PediExpresso) na escola do seu filho, estamos disponíveis para ajudar!

Mais para o futuro ainda, temos pensado em como criar as condições para mais cicloexpressos crescerem como cogumelos. Uma barreira relevante é a organizacional. É preciso dar um conjunto de passos até ter um comboio a andar, e depois disso, existem alguns “custos de operação” relacionados com a organização da logística. Quem são os monitores disponíveis para o dia? Quantas crianças vão e onde partem? Os monitores são suficientes? Se for necessário, como se cancela um comboio de forma que todos saibam facilmente? Como se inscrevem novas crianças e se comunicam as regras? A necessidade desta gestão que alguém tem que fazer a cada véspera de comboio será uma das principais razões porque não existem mais comboios a pé ou de bicicleta por esse mundo fora.

Temos por isso imaginado uma aplicação de telemóvel que faz tudo isto por nós. Os participantes (monitores e crianças) só têm que dizer à aplicação se vão estar presentes e a partir de que sítio, e ela faz o resto. Uma aplicação pode ainda fazer mais: dizer aos pais se o comboio já partiu, em que sítio vai, quantos minutos faltam para chegar, e enviar uma notificação a confirmar a sua chegada à escola. Algo parecido com chamar um Uber. Nos últimos CicloExpressos temos usado já uma aplicação que faz parte disto. Com a aplicação Glympse, conseguimos mostrar aos pais qual é a localização do comboio, o que foi bastante popular!
Se gosta desta ideia, junte-se a este comboio!

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Passeio ‘Os Reis vão de CicloExpresso’

 

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OS REIS VÃO DE CICLOEXPRESSO

O Cicloexpresso do Oriente, está a organizar um passeio que no âmbito dos seus objectivos, permitirá às crianças e familiares que estejam interessados em aderir, poder fazer um percurso que liga 13 escolas das freguesias Parque das Nações, Portela e Moscavide e Olivais.

Decorrerá no dia 10 de Janeiro de 2016 com inicio às 10:00h, tendo inicio no Parque do Vale do Silêncio e termina na Marina do Parque das Nações.

Esta iniciativa pretende estimular que a mobilidade escolar aborde a bicicleta como uma forma séria de nos deslocarmos.

https://www.facebook.com/events/1728682387351520/

Linha Parque das Nações norte – EBPN

Quando: cada Sexta-Feira com partida às 8h20 e chegada à escola pelas 8h50.

Paragens: Terreiro dos Corvos, Torre Vasco da Gama (~8h30), Pav. de Portugal (~8h35), Pav. do Conhecimento (~8h40), Passeio do Adamastor (Torre Galp) (~8h43), EBPN. Na verdade os “passageiros” podem entrar no comboio em qualquer ponto do percurso assinalado:

Screen Shot 10-19-15 at 12.15 AM

Vem da Portela ou Moscavide? Apanhe a Linha Portela-CPA, saia no Terreiro dos Corvos, e apanhe aí esta linha para a EBVG ou a EBPN.

Linha Portela-Moscavide-PN norte-Colégio Pedro Arrupe

Quando: cada Sexta-Feira com partida às 8h00 e chegada ao Colégio Pedro Arrupe pelas 8h25.

Paragens: Av. República (Av. Descobrimentos) (8h00), Av. Moscavide (8h05), Terreiro dos Corvos (8h15), Colégio do Oriente (8h20), Colégio Pedro Arrupe (8h25). Na verdade os “passageiros” podem entrar no comboio em qualquer ponto do percurso assinalado:

Linha Portela-Moscavide-PN norte-CPA

Linha Portela-Moscavide-PN norte-CPA

Inscrições

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Para inscrever o(a) seu(sua) filho(a) ligue-nos ou envie-nos um email.

Se quiser também participar na organização do CicloExpresso do Oriente enquanto adulto Monitor do comboio, contate-nos pelos mesmos meios. Veja aqui os procedimentos para os monitores levarem o comboio ao seu destino.

Gosta da ideia mas tem dúvidas em inscrever o(a) seu(sua) filho(a)? Fale connosco, ponha questões, venha conhecer-nos e acompanhe-nos nos primeiros CicloExpressos do(a) seu(ua) filho(a). Veja mais informações aqui: O que é?

O que é?

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Um comboio ou “autocarro de bicicletas” (bike bus) para a escola é um grupo de crianças em bicicleta em direção à sua escola.

Com ele, as crianças podem ir para escola integradas num pelotão liderado por um ou mais adultos.

Crianças, pais e cidade: todos beneficiam

Ao longo das últimas décadas as crianças deixaram de ser autorizadas a seguir a pé ou em bicicleta para escola. Mais e mais crianças passaram a ser transportadas em automóvel, num ciclo vicioso pouco positivo para todos: os pais, que têm que levar os filhos em automóvel, enfrentando os congestionamentos para os quais também contribuem; os filhos, que não podem usufruir em autonomia do percurso de sua casa para a escola; a comunidade, afetada pelo tráfego, poluição e insegurança.

O ciclo-comboio possibilita que mais crianças voltem a ir de bicicleta para a escola. Com benefícios para todos, começando por elas.

Inauguração da linha

Na Primavera de 2015, a partir do dia 15 de Maio, será feito o primeiro comboio de bicicletas regular de Lisboa, o CicloExpresso do Oriente.

Onde

A linha do CicloExpresso do Oriente serve a Escola Básica do Parque das Nações, partindo da zona Norte do Parque das Nações.

A estação de partida é o Terreiro dos Corvos, passando na Rua Ilha dos Amores, Jardim Garcia da Horta, Cais Argonautas, Rua Nova dos Mercadores, Passeio Adamastor e Alameda dos Oceanos (sul).

Quando

  • Todas as Sextas-Feiras de cada semana, até ao final do ano lectivo.
  • A viagem inicia-se às 8h20 (Terreiro dos Corvos). Chegada prevista até às 9h00.

Condiçōes

  • Acompanhamento de pelo menos um adulto por cada 4 crianças
  • Crianças participantes têm bom controlo da bicicleta e estão capacitadas para seguir as regras do comboio (seguir sempre atrás do primeiro adulto, seguir em linha, respeitar as indicações do adulto)
  • O comboio pode ser apanhado em qualquer ponto do percurso

Quem organiza e porquê?

Somos pais que já se deslocam habitualmente com os filhos em bicicleta e acreditam que a mobilidade em bicicleta contribuirá para a qualidade de vida no nosso bairro e para a autonomia, felicidade e responsabilidade das suas crianças.

Parceiros

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